Espírito Santo

01/06/2017 - 11:15

A festa solene de Pentecostes é ocasião propícia para renovarmos nossa fé na ação do Espírito Santo em nós, na Igreja e no mundo. Jesus prometeu o Espírito Santo aos apóstolos como consolador nas aflições, defensor nas perseguições, luz e discernimento para as escolhas certas, fecundidade na pregação do Evangelho. Jesus prometeu aos apóstolos que continuaria agindo no mundo através do Espírito Santo.

Com a ajuda preciosa do Espírito de Cristo, os apóstolos puseram-se a pregar o Evangelho com autoridade e coragem e os frutos foram aparecendo. A Igreja nascente foi agregando povos na mesma fé, conseguiu superar as dificuldades iniciais, resolver suas dúvidas e levar avante a obra da evangelização. No encontro com as culturas diversas, conseguiu manter a unidade e a autenticidade da fé apostólica e superar os desvios doutrinais.

A ação do Espírito Santo deu coragem e paciência aos mártires e foi suscitando a santidade, que se expressou nas múltiplas formas da vida segundo o Evangelho, quer na família e na vida laical, quer na vida consagrada e religiosa. Santos pastores e doutores da fé aprofundaram os caminhos da vida cristã e sua relação com a vida cotidiana, ensinando-os ao povo; santos místicos, monges e eremitas foram explicitando, pela sua vida contemplativa, as riquezas da esperança cristã; santos missionários e educadores alargaram as fronteiras do cristianismo e nele envolveram os povos e as novas gerações. Santos mártires, em todos os tempos, testemunharam com o próprio sangue o valor da fé cristã, mais preciosa que a vida neste mundo.

 O Espírito Santo renova continuamente a Igreja e suscita sempre energias novas diante de situações diversas, não permitindo que se torne como planta seca e sem vitalidade. A ação misteriosa do Espírito de Cristo conduz a humanidade e a Igreja na direção justa, na realização do bem comum. Mesmo quando uma crise momentânea faz pensar no inverso frio e árido, o Espírito de Deus faz surgir a primavera portadora de nova vitalidade. Basta o homem não resistir, ou agir contra o Espírito de Deus.

Estamos para iniciar a celebração de um sínodo na arquidiocese de São Paulo, como caminho de conversão e renovação da Igreja em nossa Metrópole. As mudanças que os tempos trazem na cultura, nas situações sociais e religiosas desafiam-nos a fazermos uma grande avaliação sobre a nossa ação evangelizadora e pastoral, para agradecer a Deus por tudo o que de bom o Espírito Santo já suscitou e continua a suscitar na Igreja em São Paulo. Ao mesmo tempo, o sínodo será ocasião para uma avaliação sincera e lúcida, que nos ajude a perceber melhor nossas falhas, as lacunas e as deficiências na vida e na ação de nossas comunidades e organizações eclesiais.

Queremos discernir sobre a realidade da nossa Igreja na Metrópole paulistana, à luz do Evangelho e deixando-nos conduzir pelo Espírito de Deus. As deficiências e insuficiências da nossa ação eclesial deverão nos levar à necessária conversão pastoral, da qual falou a Conferência de Aparecida, em 2007, e o Papa Francisco também tratou na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. Queremos estar atentos aos “sinais dos tempos” e deixar-nos conduzir pela ação do Espírito, o único que é capaz de renovar e revigorar a Igreja.

Tantos fatos e situações novas envolveram nossa Igreja no passado recente: a entrada no novo milênio, o ensinamento dos Papas recentes e do Papa Francisco, em particular; a Conferência de Aparecida, as mudanças religiosas, as situações sociais e culturais em rápida mudança. Tudo isso diz alguma coisa para nosso modo de realizar a vida e a missão da Igreja em São Paulo? O sínodo arquidiocesano deverá ajudar-nos a corresponder de forma mais adequada à vida e à missão da Igreja em nosso tempo, e dele deverão sair diretrizes que ajudem a realizarmos bem a vida eclesial nos próximos anos.

É indispensável que invoquemos com muita fé a ajuda do Espírito Santo para a realização e o bom fruto do sínodo. Com a sua ajuda, compreenderemos mais facilmente os apelos de Deus e saberemos buscar, unidos e num só coração, o bem da Igreja em nossa Cidade. Será ele o agente principal e nós seremos seus colaboradores. Com sua ajuda, poderemos esperar bons frutos da realização do sínodo arquidiocesano de São Paulo.

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

 

Artigo publicado no jornal O SÃO PAULO, na quarta feira, dia 31/06/2017