Dom Duarte Leopoldo e Silva

13º Bispo e 1º Arcebispo (1907 - 1938)

Lema: IPSE FIRMITAS ET AVCTORITAS MEA "Ele (Cristo) é a minha força e autoridade"

BIOGRAFIA

Nascido em 04 de abril de 1867, na cidade de Taubaté, foi batizado no dia 21 de junho de 1867, na Catedral. Era o mais velho de dez irmãos. Seus pais eram Bernardo Leopoldo e Silva e Ana Rosa Marcondes Leopoldo. No início de seus estudos, queria ser advogado. Em 1844, concluiu o curso preparatório, anexo à faculdade de Direito, em São Paulo. Em seguida, mudou seu caminho e foi para o Rio de Janeiro, onde ingressou no curso de farmácia da Faculdade Nacional de Medicina. Estudava durante o dia e, para manter-se, dava aulas à noite. Esse ritmo de vida debilitou sua saúde. Foi obrigado a abandonar o curso no segundo ano. Voltou para a casa dos pais em Caçapava, para recuperar-se e pensar no futuro. Quando se decidiu a reiniciar os estudos, verificou que a sua vocação era para o sacerdócio.

Regressou a São Paulo, com a finalidade de ingressar no Seminário Episcopal. Na época, o reitor do seminário era o monsenhor João Alves Coelho Guimarães, que havia batizado dom Duarte. O reitor não demonstrou entusiasmo na com a decisão do candidato ao sacerdócio, alegando perceber em Duarte uma inquietação, uma crise, uma incerteza. Recomendou ao jovem que voltasse para o Rio de Janeiro e desse prosseguimento ao curso de Farmácia. Duarte insistiu muito para ficar e o reitor não o impediu. Em 1887, foi matriculado no seminário. Os cursos que havia frequentado, colocavam-no num nível superior ao dos demais alunos. Logo passou a lecionar no Colégio Diocesano, que funcionava anexo ao seminário.

A direção do seminário decidiu que Duarte poderia iniciar imediatamente os estudos de teologia. Era de praxe que o futuro sacerdote dispusesse de um patrimônio particular, mas Duarte foi dispensado disso, pois não tinha a mínima condição de atender a exigência. Recebeu as ordens menores aos 20 de dezembro de 1890.  



PREBISTERADO

Ordenado sacerdote em 30 de outubro de 1892, na capela do Seminário Episcopal, pelas mãos de dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho. Celebrou sua primeira missa em Caçapava, já que seus pais não puderam comparecer à sua ordenação sacerdotal. Após a ordenação, permaneceu como professor no Seminário Episcopal. Foi nomeado por dom Joaquim Arcoverde, coadjutor da paróquia de Jaú. Não durou muito tempo sua atuação naquela paróquia, já que em 1985, foi nomeado o primeiro pároco da recém-criada paróquia de Santa Cecília.

O trabalho de padre Duarte na nova paróquia foi grande. Acompanhou os primeiros alicerces da atual construção da Paróquia Santa Cecília. O território paroquial era grande: abrangia Perdizes, Água Branca e Lapa. Em razão do excesso de trabalho, solicitou um coadjutor. Em 1903, confiou aos agostinianos recoletos os bairros da Lapa e Água Branca, desejando que aquelas capelas fossem transformadas em paróquia.



EPISCOPADO

Dom Duarte Leopoldo e Silva foi proposto e nomeado bispo de Curitiba, pelo papa Leão XIII, por breve de 10 de maio de 1904. Recebeu a sagração episcopal em 22 de maio de 1904, na capela do Colégio Pio Latino-Americano, pelas mãos do Secretário do Estado do Vaticano, cardeal Merry del Val, sendo consagrantes dom Eduardo Duarte Silva, bispo de Goiás e dom Luís Lazzareschi, arcebispo titular de Icônio.

Tomou posse da diocese de Curitiba e fez sua entrada solene na Catedral aos 02 de outubro de 1904. Apesar de contar com pouquíssimos padres, a diocese de Curitiba tinha um vasto território que incluía também o estado de Santa Catarina. Durante o seu episcopado, dom Duarte residiu numa casa simples próxima a catedral, empreendeu uma série de visitas pastorais, estimulou a fundação de hospitais, criou paróquias e estabeleceu congregações religiosas no território diocesano.

Em 18 de dezembro de 1906, foi transferido para a diocese de São Paulo, por meio do decreto consistorial do Santo Padre Pio X. Tomou posse da diocese e entrou solenemente na Antiga Sé em 14 de abril de 1907. A diocese contava com 234 paróquias e cerca de 300 mil fiéis.

De início, dom Duarte deu continuidade aos projetos de seu antecessor. Em seguida, estabeleceu normas de organização para a cidade. O bispo preconizava uma divisão racional e ampla da diocese, que a tornasse mais prática, mais governável. A ideia não era nova, pois o cardeal Arcoverde já cogitara o desmembramento da região Sul, escolhendo como sede diocesana a cidade de Botucatu. Dom Duarte desejava um desmembramento maior, tendo seus argumentos convencido a Santa Sé.

No dia 07 de junho de 1908, o papa Pio X assinou o decreto que criava a província eclesiástica de São Paulo. Com isso, São Paulo passou a ser uma Arquidiocese, com cinco dioceses sufragâneas: Taubaté, Campinas, Botucatu, São Carlos e Ribeirão Preto. Diante dos esforços empenhados por dom Duarte para a criação das novas sedes episcopais, o papa Pio X entendeu por bem nomeá-lo o primeiro arcebispo metropolitano de São Paulo.

O núncio apostólico dom Alexandre Bavona notificou solenemente a criação do arcebispado, fazendo a leitura da bula Dioecesium nimian amplitudinem, na antiga Sé Catedral, no dia 18 de setembro de 1908. Estiveram presentes as mais altas autoridades civis e militares. Dom Duarte tomou posse como arcebispo no dia 11 de outubro de 1908. A cerimonia de recepção do pálio aconteceu somente no dia 29 de junho de 1909, na matriz de Petrópolis, tendo sido oficiada pelo núncio apostólico, na presença de dom Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro.

No ano de 1910, adquiriu o palácio São Luís para residência dos arcebispos, tendo em vista que anteriormente os bispos residiam no Solar da Marquesa, na antiga Rua do Carmo, edifício que existe até hoje e pertence ao município de São Paulo. O palácio São Luís foi demolido, tendo em vista que era considerado “obsoleto” para o projeto de reurbanização da cidade de São Paulo.

No dia 05 de setembro de 1911, dom Duarte, que sempre privilegiou o culto a Nossa Senhora, fez a sagração da primeira basílica do Brasil. Foi o próprio arcebispo quem pediu ao papa o título de basílica para o Santuário de Aparecida. O pedido foi aceito pelo papa Pio X que, por meio do breve pontifício de 23 de abril de 1908, concedeu o título de “Basílica Menor” para o Santuário, com todas as honras, privilégios e direitos concedidos às basílicas menores de Roma.

Em 25 de janeiro de 1912, dom Duarte reuniu os representantes das principais famílias da cidade e constituiu uma comissão com a finalidade de levantar fundos para a construção de uma nova Catedral Metropolitana. A pedra fundamental foi lançada em 29 de junho de 1913. Dom Duarte não viveu o suficiente para ver o templo pronto: a catedral só foi inaugurada no ano de 1954, mesmo assim inacabada.

Convocou o I Congresso Eucarístico de São Paulo em 03 de junho de 1915, sob a presidência de sua eminência o cardeal Joaquim Arcoverde. Foram realizadas semanas preparatórias nas paróquias, capelas e nos colégios. Grande número de fiéis participou. Esse congresso preparou o Congresso Eucarístico Nacional que aconteceu em São Paulo, no ano de 1922.

No ano de 1918, uma epidemia de gripe espanhola atingiu a cidade de São Paulo, levando a óbito mais de cinco mil pessoas. Diante das grandes deficiências dos serviços de socorro, dom Duarte desenvolveu uma campanha de arrecadação de fundos e contou com a ajuda dos vicentinos, congregados marianos, legionários de São Pedro, União de Santo Agostinho, entre outros grupos de fiéis que atuavam junto aos enfermos. Foram criados quatorze hospitais provisórios em escolas católicas, destacando-se o Colégio de São Bento e a atuação dos monges beneditinos, que adaptaram seu espaço, distribuíam alimentação aos necessitados e criaram um trem de socorro para os enfermos. A atuação da Igreja de São Paulo rendeu diversas homenagens, dentre elas a do papa Bento XV, que destacou como luminoso o exemplo de dom Duarte.

Em 1924, São Paulo sofreu um novo abalo com a Revolução da Força Pública. Dom Duarte Leopoldo se envolveu em constantes diálogos de paz. Ao término da revolução, o arcebispo foi nomeado oficialmente por meio de lei, para assistir as vítimas da revolução. Nos dias seguintes ao término da revolta, publicou uma circular intitulada “Nem política, nem revolução”, onde ressaltava a importância do respeito às autoridades e lastimava as mortes e destruições ocorridas.  

Tão reconhecidos foram os méritos sobre estudos de história, que em 1904 o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo o elegeu membro daquela instituição, tendo exercido a presidência daquele sodalício no triênio 1919-1921. Em 1928, foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Dom Duarte se empenhou na criação das dioceses de Santos e Sorocaba (1924), de Bragança Paulista (1925) e de Cafelândia, atual Lins (1926), reduzindo desta forma o vasto território que compreendia a Arquidiocese.

Em 1928, dom Duarte Leopoldo e Silva lança a pedra fundamental para a construção do Recolhimento São Pedro: uma casa que abrigaria os padres idosos. A inauguração se deu em 22 de maio de 1929, data em que o arcebispo comemorava 25 anos de episcopado.

O arcebispo promoveu o I Congresso da Mocidade Católica (1928) e o Congresso Mariano (1929). A adoração perpétua foi instalada em São Paulo, na Igreja de Santa Ifigênia, no ano de 1938.

Em 19 de março de 1934, dom Duarte Leopoldo e Silva inaugurou o seminário do Ipiranga, cujo edifício foi planejado e construído com o empenho do arcebispo. O terreno foi doado pelo Conde José Vicente de Azevedo, sendo que as construções iniciaram em 19 de março de 1929. Não demorou muito e o seminário se tornou central. Em fevereiro de 1934, começaram a chegar seminaristas das dioceses sufragâneas, do Rio de Janeiro e de outras diocese, o que totalizou 132 alunos.

Como escritor, publicou diversos trabalhos, destacando-se entre eles a “Concordância dos Evangelhos”, notabilíssimo estudo de exegese, valioso por suas notas. Outro trabalho escrito pelo prelado são as “Iluminuras”, que compreendem quatro discursos.

Como historiador, publicou em dois fascículos: “Notas de História Eclesiástica” e “O Clero e a Independência”. Reuniu em um volume único as suas principais cartas pastorais: carta de despedida aos seus paroquianos de Santa Cecília, pastoral de saudação aos seus diocesanos de Curitiba, pastoral de despedida aos diocesanos de Curitiba, carta de saudação aos diocesanos de São Paulo, carta pastoral anunciando a instituição da Província Eclesiástica de São Paulo, pastoral sobre o “Santíssimo Sacramento”, carta pastoral sobre o conflito europeu e uma circular também sobre o conflito europeu, esta última, subscrita pelos Arcebispos das Províncias Meridionais.

Ao longo de seu episcopado empreendeu inúmeras visitas episcopais pelo vasto território da Arquidiocese. Podem ser destacadas as visitas a Santos, Praia Grande, São Vicente, Itanhaém e São Bernardo do Campo, Santo Amaro, Itapecerica da Serra, M’Boy Mirim, Mogi das Cruzes e Jundiaí, Itu, Bom Jesus dos Perdões, Araçariguama e Parnaíba. Durante as visitas, o arcebispo caminhava pelas ruas, se encontrava com autoridades, rezava com o povo, ministrava o sacramento da confirmação. Em agosto de 1910, dom Duarte visitou o hospício do Juqueri.

Uma de suas iniciativas diretamente ligada ao crescimento da cidade, foi a criação de novas paróquias em bairros onde o catolicismo chegava antes mesmo da infraestrutura básica: Água Branca, Barra Funda, Alto do Pari, Bela Vista, Casa Verde, Higienópolis, Moema, Mooca, Brooklin Paulista, Paraíso, Pinheiros, Perdizes, Ponte Pequena, Vila Formosa, Vila Esperança, Tucuruvi, Tremembé, Saúde, Vila Maria, Vila Mariana, Vila Califórnia, Brás, Jardim Europa, Osasco, Jardim Paulista, Jaçanã, Itaquera, São Miguel Paulista, Indianápolis, Limão, Liberdade, Luz, Santana, Bosque da Saúde. 

Dom Duarte era muito preocupado com a obra das vocações sacerdotais. Ao longo de seu episcopado fortaleceu e desenvolveu um grande trabalho em prol das vocações. Foram fundados centros vocacionais, onde eram promovidas palestras constantemente. Um padre responsável pelos centros, visitava as famílias dos vocacionados ao seminário menor. Anualmente, era realizada uma assembleia vocacional onde se reuniam todos aqueles que trabalhavam nos diversos centros. Foi criado um seminário preparatório, onde os candidatos recebiam noções de conhecimentos gerais e humanos, para depois seguirem para o seminário menor de Pirapora.

O atual Museu de Arte Sacra de São Paulo, antigo Museu da Cúria, teve seu início no bispado de dom Duarte. O arcebispo, em seu empenho de preservar tudo quanto dissesse respeito à arte sacra, foi formando na cúria um acervo no intuito de criar um museu da arquidiocese. Posteriormente, no governo de dom Agnelo Rossi, o museu foi transferido para o Convento da Luz.

Ao longo da história da Igreja de São Paulo, foram criados um arquivo da cúria  e um arquivo do cabido metropolitano. Em 01 de abril de 1918, seguindo as disposições do Código de Direito Canônico, dom Duarte Leopoldo unificou os arquivos. O Arquivo que hoje funciona no complexo do Ipiranga, na Avenida Nazaré, leva o nome de Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva.

Durante seu governo, dom Duarte Leopoldo e Silva reestruturou o cabido metropolitano, fixando em 14 o número de cônegos catedráticos, incluindo as quatro dignidades: arcediago, arcipreste, chantre e tesoureiro-mor. Os cônegos honorários seriam em número de 10.

Além de dotar para a Arquidiocese um edifício próprio para a Cúria Metropolitana; cuidou com acendrado amor da parte puramente espiritual e não descuidou da assistência social, criando a Liga das Senhoras Católicas, a Obra dos Tabernáculos, o Dispensário de Nossa Senhora de Lourdes e o Asilo Padre Chico.

Recebeu da Santa Sé os títulos de Conde Romano, Assistente ao Trono Pontifício e Prelado Doméstico do papa Bento XV.

Faleceu no palácio episcopal São Luís, no dia 13 de novembro de 1938. O arcebispo contava com 71 anos de idade, sendo 31 anos à frente do bispado de São Paulo. Seus funerais duraram 3 dias e tiveram início no próprio palácio episcopal, seguindo o corpo para a Igreja de Santa Ifigênia, onde foi velado, concluindo-se as celebrações fúnebres na Catedral Metropolitana, ainda em construção. As celebrações foram presididas pelo cardeal Sebastião Leme, arcebispo do Rio de Janeiro e contou com a presença de inúmeras autoridades, dentre eles o governador do Estado de São Paulo, Ademar de Barros. Grande foi a participação de fiéis, que lotou as ruas do centro de São Paulo e a praça da Sé. Em sua lápide, na cripta da Catedral Metropolitana, é possível ler:


“BONVM.CERTAMEN.CERTAVI
QVEM.SACERDOTII.PLENITVDINE.HONESTATVM
PRAECLARIS.CVRITIBAE.ABSOLVTIS.QVAMPLVRIMIS
IN.PAVLOPOLITANVM.SOLIVM.PLAVSV.ELECTVM
SVI.IMMENSOREM.ALIORVM.PERQVAM.SOLERTEM
EXIMIA.OB.INCEPTA.DIVTVRNE.MICVISSE
AVREIS.QVOS.IMITEMVR.DIGNIS.MORIEVS
SEMPER.VITAM.DVXISSE.TRABEATVM
PRAE.CONTENEBRATIS.TEMPESTALIBVS
IMPAVIDAE.EIDEI.STIMVLIS.PVLSANTIBVS
NE.PVNCTVM.QVIDEM. A SIGNIS.DISCESSISSE
CITRA.VERBORVM.HONOREM.NEMO.NON.CLAMAT
D. DVARTE.LEOPOLDO.E.SILVA
ID.NOV.AN.MCMXXXVIII.A.VICTA.DESERTVS
QVIDQVID.LETIU.VECTIGALIS.OBTINEBAT
HAS.IN.ARDES.DECORE.DEDVCTVM.EST.”1

1 Combati o bom combate. Ninguém há que, sem ofender a verdade deixe de conhecer: Dom Duarte Leopoldo e Silva, nobilitado pela plenitude do sacerdócio, concluídas numerosas e notáveis tarefas em Curitiba, foi com geral aplauso escolhido para a Sé de São Paulo. Esquecendo-se a si, extremamente solícito do próximo, durante muito tempo brilhou por seus empreendimentos exímios; sempre levou vida ornada de costumes excelentes, dignos de nossa imitação, em meio a tempestades tenebrosas. Movido pelo estímulo de fé impávida, não se afastou em um só ponto da reta norma. Aos 13 de novembro de 1938, havendo deixado esta vida, todos os seus despojos mortais foram reverentemente encerrados nesta urna.



BRASÃO E LEMA

Lema
IPSE FIRMITAS ET AVCTORITAS MEA
Ele (Cristo) é a minha força e autoridade

Descrição: Escudo eclesiástico talhado: o 1º de sinopla com o monograma da Virgem Maria, composto pelas letras M e A sobrepostas, de argente, com resplendor de jalde; o 2º de goles com um leão de jalde, armado e lampassado de blau – Armas modificadas dos Silvas. Brocante sobre o traço do talhado, uma barra de blau, perfilada de jalde, carregada de sete estrelas de cinco pontas, do mesmo. O escudo está assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada, de dois traços, de ouro, com um coronel de Conde, entre uma mitra de prata adornada de ouro, à dextra, e de um báculo do mesmo, a senestra, para onde se acha voltado. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por dez borlas cada um, tudo de verde, forrado de vermelho. Brocante sob a ponta da cruz um listel de blau com a legenda: IPSE FIRMITAS ET AVCTORITAS MEA de jalde.

Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de sinopla (verde) representa: esperança, liberdade, abundância, cortesia e amizade. O monograma lembra a Virgem Maria e traduz a confiança e a devoção filial do bispo que colocou toda a sua vida sacerdotal sob a proteção da Mãe de Deus, sendo de argente (prata) simboliza a inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num sacerdote, os resplendor nos lembra que a Virgem é a Aurora da Salvação e sendo de jalde (ouro) traduz nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. No segundo estão as armas da família Silva, com seus esmaltes modificados, pois originalmente são de argente com um leão de púrpura, sendo que por seu campo goles (vermelho) simboliza o fogo da caridade inflamada no coração do Cardeal pelo Divino Espírito Santo, bem como, valor e socorro aos necessitados; o leão é símbolo da fortaleza do soldado cristão e sendo de jalde (ouro) tem o significado já descrito acima. A barra, ou contra-banda, de blau (azul) representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora, sendo que este esmalte significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza; as estrelas representam os sete dons do Espírito Santo: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus, com os quais ilumina os bispos no governo da Igreja, sendo de jalde têm o simbolismo deste metal, já acima descrito. O pálio demonstra a dignidade arquiepiscopal. O lema: "Ele (Cristo) é a minha força e autoridade", de inspiração agostiniana, traduz a submissão total do arcebispo à vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, em nome de quem exerce seu ministério sacerdotal.