Dom Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade

6º Bispo Diocesano (1827-1847)

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BIOGRAFIA

Nascido em 14 de março de 1767, na Ilha da Madeira. Era filho legítimo do casal Nicolau Gonçalves de Andrade e Maria de Andrade. Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal. Era sobrinho de dom Mateus de Abreu Pereira, o quarto bispo de São Paulo e, então, pároco de Ventosa. Foi o último bispo português a pastorear a diocese de São Paulo.



PRESBITERADO

Ordenado sacerdote aos 22 anos de idade, em 8 de setembro de 1797, pelas mãos de dom Mateus de Abreu Pereira, seu tio. Embarcou em seguida para o Brasil. Pertenceu ao clero secular, tendo sido nomeado cônego e mais tarde, arcediago do cabido de São Paulo. Exerceu também os cargos de provisor e vigário geral, durante o episcopado de dom Mateus.



EPISCOPADO

Dom Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade teve sua nomeação decretada pelo imperador dom Pedro I, para ser o sexto bispo da diocese de São Paulo no dia 25 de junho de 1827. A nomeação do bispo foi confirmada pela bula papal de Leão XII. O novo bispo foi sagrado na Capela Imperial do Rio de Janeiro,no dia 28 de outubro de 1827, pelas mãos de dom José Caetano da Silva Coutinho, bispo do Rio de Janeiro.

Como era de costume, dom Manuel tomou posse da sua diocese através de procuração outorgada ao cônego Lourenço Justiano Ferreira, no dia 11 de novembro de 1827 e fez sua entrada solene na Catedral de São Paulo no dia 23 de dezembro do mesmo ano.

Como bispo diocesano, enfrentou algumas dificuldades. A primeira delas foi uma crítica no jornal O Observador-Constitucional, de propriedade de João Batista Libero Badaró, médico que se notabilizou como defensor da causa liberal. Dom Manuel era expoente do partido conservador de São Paulo, e suas ideias faziam oposição a aquelas veiculadas pelo jornal de Badaró. O folhetim de Badaró afirmou ser o bispo pouco inteligente e fraco administrador.

Dom Manuel era um homem de apreciável cultura, o que chamava a atenção dos políticos da época. Foi eleito membro do Conselho do Governo nos anos de 1824 e 1826. Nomeado vice-presidente da Província de São Paulo, assumiu por quatro vezes o governo interino, desempenhando com brilhantismo as altas funções do elevado e difícil cargo.

Ainda na esfera política, foi eleito por três vezes deputado provincial, figurando como suplente na quarta legislatura. Por ocasião da visita de Sua Majestade Dom Pedro II a São Paulo, recebeu a grã-cruz da ordem imperial de Cristo. Era também Conde Romano.

Entre as realizações de dom Manuel, está a instalação da primeira escola normal de São Paulo. Em 1846, numa sala da catedral se instalou o curso com aulas vespertinas de línguas, gramática, aritmética, geometria, pintura e catecismo. Tinha o costume de conduzir à capital paulista índios adolescentes para serem educados e instruídos à sua custa e se dos índios fosse desejo, poderiam se tornar sacerdotes posteriormente.

O último bispo português da diocese paulista faleceu no dia 26 de maio de 1847, após vinte anos de pastoreio, tendo ordenado neste período 231 sacerdotes. De seus bens, determinou que 100 mil réis fossem entregues aos presos que cumpriam pena na cadeia de São Paulo. É lembrado pelos relevantes serviços que prestou em favor da organização política no Brasil. Primeiramente, foi sepultado na capela-mor da antiga Sé Catedral. Atualmente, seus restos mortais repousam na cripta da catedral da Sé, onde pode ser lido em sua lápide:


“OPERI.MANVVM.TUARUM.RODRIGVES.DEXTERAM
BRASILIBVS.SE.DEBRIS.PETITIS
DILECTA.LVSITANIS.RELECTA.IAM.SACERDOTIO.EXORNATVS
FLVMINIS.IANVARII.IN.VRBE
ACCEPTISSIMVS.DD. EMANVEL.IOACHIM.GONÇALVES.DE.ANDRADE
PRO.PAVLOPOLITAN.REGENDA.PLEBE
BONIS.AVSPICIIS.CONSECRATIONE ACCEPTA.EPISCOPALI
PASTORALIA.PROPTER.OPERA.PATRIOTICASQVE.CVRAS
SIGNATVS.MERITIS.REQVIETORIO.HVIC.TRADITVS.EST
SEPTIMO.KAL.IVNII.AN.MDCCCXLVII.VITA.FVNCTVS”1

1 À obra de tuas mãos estenderás a tua destra. Tendo deixado a coroa lusitana já promovido ao sacerdócio, muito benquisto na cidade do Rio de Janeiro, dom Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, a fim de reger a grei paulistana, foi sob bons auspícios sagrado bispo. Enriquecido de méritos por seus trabalhos pastorais, e sua solicitude patriótica, terminou a vida e foi depositado neste repousório aos 26 de maio de 1847.



BRASÃO E LEMA

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Descrição: Escudo eclesiástico, partido: o 1º de sinopla, com uma torre de jalde, aberta e iluminada de blau, ladeada por dois leões do mesmo, armados e lampassados de goles, afrontados e trepantes – Armas dos Larzedos; o 2º de jalde, com uma banda de goles abocadas por duas cabeças de serpe de sinopla, com a boca filetada de jalde, e acompanhadas de duas caldeiras xadrezadas de goles e de argente, com aros e asas serpentíferas de sinopla – Armas dos Andrades. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada de ouro, com um coronel de conde, entre uma mitra de prata adornada de ouro, à dextra, e de um báculo do mesmo, a senestra, para onde se acha voltado. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por seis borlas cada um, tudo de verde.

Interpretação: O escudo obedece as regras heráldicas para os eclesiásticos. Os campos representam as armas familiares do bispo, nascido da nobreza lusitana. No 1º, o campo de sinopla (verde) representa: esperança, liberdade, abundância, cortesia e amizade; a torre, além de arma familiar, representa também a igreja e sendo de jalde (ouro) simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. Os leões são símbolo de autoridade, soberania, autoridade, magnanimidade e vigilância. No 2º, o campo de jalde (ouro) tem o significado já descrito deste metal; a banda – distintivo de generais e chefes – sendo de goles (vermelho) simboliza o fogo da caridade inflamada no coração do bispo, bem como valor e socorro aos necessitados; cor sinopla (verde) das serpes tem o significado já descrito acima. Nas caldeiras xadrezadas, o goles (vermelho) tem o significado descrito acima e o argente (prata) simboliza a inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num sacerdote.