O que nos traz o ano de 2018?

10/01/2018 - 10:00

O ano de 2018 se apresenta a nós como um tempo de graça a ser acolhido e vivido intensamente cada dia com disposição, gratidão e alegria. Já no 1° dia de janeiro, o Papa Francisco convidou a Igreja e a sociedade inteira a darem uma atenção especial aos migrantes, que somam mais de 250 milhões de pessoas em nossos dias; e também aos que estão à procura de asilo político, que somam cerca de 20 milhões de pessoas. Nunca o mundo teve tanta gente em situação de migração e de asilo ao mesmo tempo! 

O Papa pede para acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e necessitados de asilo. Em São Paulo, temos parte nessa imensa tarefa, que corresponde a uma das obras de misericórdia: acolher os peregrinos e migrantes.

A Igreja inteira estará, ao longo deste ano, com sua atenção voltada para os jovens. Em outubro, será realizada em Roma a assembleia do Sínodo dos Bispos sobre o tema – “os jovens, a fé e a vocação”. Ao mesmo tempo, ao longo deste ano, estará em plena preparação a Jornada Mundial da Juventude do Panamá, que acontecerá em janeiro de 2019. A juventude é importante para a Igreja e a sociedade; aos jovens, precisam ser dedicadas as atenções das nossas comunidades e organizações eclesiais.

A CNBB promove mais uma vez a Campanha da Fraternidade durante a quaresma. Desta vez, o tema será “a fraternidade e a superação da violência”. A questão da violência é muito grave no Brasil e atinge muitas pessoas, podendo manifestar-se de diversas formas: contra as pessoas, contra o patrimônio, nas muitas formas de injustiça e da agressão moral. A violência fere profundamente a dignidade e os direitos da pessoa, e precisa ser combatida de muitas formas. Mas não há dúvida de que é urgente educar para o respeito à pessoa, para a valorização da própria dignidade, o senso de honestidade e da justiça. Não bastam leis e políticas repressivas. As nossas comunidades e organizações católicas são chamadas a contribuir para a superação da violência.

Mas este também será um ano eleitoral e os brasileiros serão chamados mais uma vez a acompanhar os debates pré-eleitorais, em vista das importantes escolhas a serem feitas por meio do voto. A eleição de Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados poderá ser decisiva para ajudar o Brasil a trilhar novos rumos na vida política e na administração pública. Portanto, é fundamental que todos nós participemos, como cidadãos, do processo democrático da escolha dos novos mandatários, em cujo poder estará o futuro próximo do Brasil. 

E nossa Arquidiocese, após um ano de preparação, abrirá oficialmente, em 24 de fevereiro, a celebração do sínodo arquidiocesano como “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” de toda a Igreja particular de São Paulo, com todas as suas comunidades, organizações e expressões de vida e ação eclesial. Atentos à Palavra de Deus, à voz da Igreja e aos sinais dos tempos, vamos olhar com fé, atenção e discernimento para a realidade da nossa Igreja em São Paulo, deixando-nos interpelar sobre o modo como realizamos a vida e a missão evangelizadora da Igreja nesta imensa metrópole.

O primeiro ano de sínodo será dedicado inteiramente às paróquias, onde está a base da vida eclesial. O caminho sinodal, nessa etapa, convida a uma ampla tomada de consciência sobre a realidade da evangelização e da vida de nossas paróquias, comunidades e organizações eclesiais. Ao longo do ano, muitos grupos paroquiais e pastorais ajudarão, com suas reflexões e sugestões, a preparar as assembleias paroquiais do sínodo, que acontecerão nos meses de outubro e novembro deste ano. Além disso, um levantamento amplo da realidade religiosa e pastoral das paróquias ajudará a perceber com mais objetividade os desafios, as urgências e necessidades da vida e da missão da Igreja em nossa Arquidiocese. 

Será um ano de muito trabalho, de muita semeadura, da qual se esperam abundantes frutos. Que o Espírito Santo nos assista, ilumine e oriente em nossa missão e em nossos propósitos! São Paulo, nosso Padroeiro, interceda por nós!
 

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 10/01/2017